Dados de pesquisa confirmam que negros são as maiores vítimas de homicídios

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgou, nessa terça-feira (19), o Relatório Anual das Desigualdades Sociais. O documento aponta que, embora os homicídios estejam estáveis no País nos últimos anos, entre negros o número disparou. A realidade no Estado não é muito diferente, já que o número de homicídios praticados contra negros, principalmente jovens, é classificado como extermínio.

O relatório da UFRJ aponta que a probabilidade de um homem negro ou pardo ser vítima de homicídio é mais de duas vezes maior que de um homem que se declara branco. A pesquisa foi realizada a partir de dados do Ministério da Saúde e da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad), computados até 2007.

No Espírito Santo, a situação não difere da do resto do País. A falta de políticas sociais de inclusão acaba por marginalizar o jovem negro. Nos oito anos de governo Paulo Hartung (PMDB), o inves timento em políticas sociais foi ínfimo e as leis que instituem a Política de Promoção da Igualdade Racial e a que cria o Conselho Estadual de Juventude não saíram do papel.

Durante todo esse período, o jovem, principalmente negro e de periferia, não era visto como vítima e sim como opressor. Quase a totalidade de jovens negros ainda é considerada marginal, por isso é preciso desenvolver políticas públicas, sociais e de trabalho para que esses jovens sejam recolocados no mercado de trabalho e, consequentemente, caia o número de homicídios que os atinge.

Segundo dados divulgados pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Observatório de Favelas e Unicef, mais de 33,5 mil jovens de 12 a 18 anos estão marcados para morrer violentamente no período empreendido entre 2006 e 2012, caso os índices de violência no Brasil não se reduzam nos próximos anos. Ainda de acordo com os estudos, a média de adolescentes assassinados no País ant es de completarem 19 anos é de 2,03 para cada grupo de mil.

Dados do Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes) apontam que 85% dos jovens mortos no Estado em 2010 foram negros, o que demonstra que os programas voltados para o social devem levar em conta esse recorte racial que reforça a existência de um grupo prioritário.

A lei que institui a Política Estadual da Juventude foi aprovada no Estado, mas até o momento não houve vontade política para que ela fosse regulamentada e implementada. O projeto de criação do Conselho Estadual de Juventude (Cejuve) foi aprovado pelo plenário da Assembleia, mas foi vetado pelo governador Paulo Hartung e, ao ser devolvido para o Legislativo, devido à pressão popular, o veto foi derrubado e o Conselho criado sob a Lei Estadual n° 8.594/07.

No entanto, o Cejuve não foi instituído e está engavetado desde 2008 na Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento e Assistência Social (Setades). Há cer ca de três anos foi formado um grupo de trabalho a partir da I Conferência Estadual da Juventude, que construiu uma minuta de decreto regulamentando o conselho. Ela foi enviada à Setades, que ainda assim não implementou o Cejuve, tampouco deu resposta aos movimentos sociais sobre a tramitação da matéria.

fonte:SeculoDiario

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