NOVO PRESIDENTE DA UNEDIZ QUE REUNI É INSUFUCIENTE

Daniel Iliescu acredita em um novo programa de reestruturação e expansão das universidades.

O novo presidente da União Nacional dos Estudantes, eleito no domingo, 17 de julho, Daniel Iliescu, é defensor ferrenho de investimentos em educação. O lema dele é: “10% do PIB e 50% do pré-sal para a educação e 0% de analfabetismo no Brasil”. Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, pretende concluir a licenciatura do curso e fazer mestrado e doutorado para se tornar professor. Para o carioca de 26 anos, o maior papel da UNE é contribuir para que a educação esteja, de fato, no centro da agenda do governo. Financiamento da educação pública, qualidade no ensino e democratização do acesso às universidades são as principais bandeiras da UNE para o Plano Nacional de Educação. Filiado ao PCdoB, Daniel defende o diálogo como principal arma para a formulação de políticas educacionais e explica que a luta será alcançada pela união dos jovens – “lançando mão do principal instrumento que é a mobilização estudantil”, destaca.

Confira abaixo entrevista de Daniel Iliescu concedida à UnB Agência, com duas perguntas formuladas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB.

UnB Agência – Muitos estudantes criticam a UNE por acreditarem que a entidade tem uma relação de dependência do governo. Como você define o relacionamento da UNE com as instâncias governamentais?

Daniel Iliescu – A grande maioria dos estudantes entende que UNE tem uma postura independente. A UNE sempre teve relação com os governos e se relaciona com toda e qualquer instancia do poder publico federal para que a gente veja leis aprovadas. Desde o governo Getúlio Vargas que doou a sede da UNE no Rio de Janeiro até no governo Fernando Henrique, que tinha uma crítica muito dura ao movimento estudantil. É uma relação de diálogo e de pressão. Por mais que um governo seja comprometido com educação, sofre pressões de uma série de setores da sociedade, inclusive daqueles contrários a investimentos na área. Nosso papel é promover debates e fazer valer nossa opinião, levando os estudantes pra rua.

Como a UNE vê o Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni)?

Estamos em uma fase de fechamento de ciclo. As verbas se esgotaram antes do prazo previsto, há turmas se formando por causa do Reuni. Foi uma experiência interessantíssima. Foi um programa muito positivo, mas é hora de fazer um balanço. Foi o principal programa de injeção de recursos, contratação por concurso, ampliação de vagas, interiorização das universidades, mas é um programa insuficiente, que não cumpriu a reestruturação e a expansão propostas. Valorizamos essa experiência, mas compreendemos que está esgotado e que foi insuficiente para as transformações mais profundas que a gente precisa. Agora é o momento de cobrar do Ministério da Educação um novo programa, mais ousado e com mais verba, para levar a universidade brasileira para outro patarmar, que o Brasil e a juventude brasileira merecem.

O Congresso da UNE teve financiamento público. Receber investimento do governo não fere a independência do movimento estudantil?

É o final do aprofundamento da democracia no país. Infelizmente nem todo recurso público é bem utilizado hoje no Brasil. Uma série de empresas estatais financiam festas, shows, atividades da iniciativa privada. Vejo pouco questionamento sobre esse tipo de patrocínio. O congresso da UNE, no nosso entendimento, é um grande serviço prestado ao Brasil. Reunir 10 mil jovens do país inteiro para debater política, sexualidade, economia, saúde, temas tão importantes é um serviço prestado ao Brasil. Achamos justo que tenha recurso público. Não é dinheiro do governo, é dinheiro da população. O recurso público deve ser investido em atividades de interesse público.

Jonatas Moreth (DCE/UnB) – Como você avalia o fato de a UNE estar há 20 anos sendo dirigida pelo mesmo grupo? Isso é saudável ou não?

Desde 1991 o presidente da UNE é do PCdoB. Isso se explica pelo programa do partido, que é muito o atrativo para a juventude porque propõe a transformação social, um mundo melhor, se preocupa com as desigualdades. O principal trunfo da UNE é a pluralidade. Lá dentro estão representados pensamentos tradicionais, novos, de esquerda, de direita, estudantes partidários e apartidários. A UNE é uma entidade muito representativa e muito democrática. A democracia que existe na UNE é saudável, independente do grupo que está há mais tempo na direção. Na medida em que os grupos ligados ao PCdoB não representarem mais o movimento estudantil e não alcançarem tantos jovens, o partido vai deixar de estar à frente.

Jonatas Moreth (DCE/UnB) – Como vai ser a relação da maioria eleita no congresso com os demais grupos de oposição eleitos para a diretoria?

Vai ser uma relação fraterna, de companheirismo. O desafio de construir uma UNE do tamanho do Brasil não pode prescindir de nenhuma opinião política, acadêmica que circula no interior do movimento estudantil. A relação que a gestão estabelecerá com todo diretor eleito e todo estudante é fraterna e de companheirismo. Entendendo que a UNE é união, a UNE somos nós, a UNE é nossa voz, como diz o hino. Nenhuma opinião que está à frente da entidade pode subestimar nenhuma outra, mesmo que seja minoritária.

A influência partidária na UNE é um problema?

Há 74 anos, desde a sua fundação, a UNE convive com a ação de partidos políticos. Está no DNA do movimento estudantil assim como a presença de estudantes não-filiados. Quem tem filiação deve respeitar quem não tem e vice-versa. A principal luta que referenciou a UNE como conjunto da sociedade brasileira foi a luta pela democracia, para que a imprensa pudesse exercer suas atividades e as pessoas pudessem se filiar a partidos. Não vejo nenhum problema. Acho saudável e contribui para a democracia. A única condição inegociável dessa relação dos partidos políticos no interior do movimento estudantil é a independência da UNE, entidade que coloca os interesses dos estudantes em primeiro lugar.

Fonte> UJS

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