Yoani Sámchez Porta voz dos Conservadores


A PORTA-VOZ MUNDIAL DA DIREITA

Renato Nucci Jr.
Membro do Conselho de Redação do Jornal Arma da Crítica

Yoani Sánchez não veio ao Brasil a passeio. Muito menos sua visita pretende esclarecer alguma coisa sobre a realidade cubana. Analisando a lista de seus anfitriões no Brasil e nos países a serem visitados, podemos concluir qual o objetivo de seu giro internacional. Por onde passar Yoani receberá as boas vindas das forças políticas mais conservadoras e retrógradas do mundo.

A recepção feita a ela no Congresso Nacional é um bom exemplo. Convidada pela bancada do PSDB, ao seu lado se perfilaram, por exemplo, Jair Bolsonaro, homofóbico assumido e defensor de todas as obras da ditadura militar, incluindo a tortura e morte de presos políticos. Também a recepcionou Ronaldo Caiado, fundador da União Democrática Ruralista (UDR), organização dos grandes latifundiários brasileiros, cujos membros se notabilizaram nas décadas de 1980 e 1990 em perseguir e assassinar trabalhadores rurais. É com esse tipo de aliados que Yoani pretende reclamar por democracia e direitos humanos em Cuba.

Essa será a tônica de todo o seu giro internacional. Em Puebla, no México, Yoani é convidada de honra do encontro semestral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol). A entidade reúne os maiores monopólios midiáticos do continente, tradicionais adversários dos movimentos populares e principais porta-vozes do pensamento conservador. Do cofre da SIP a blogueira cubana recebe a módica quantia de 6 mil dólares mensais, por ocupar a vice-presidência regional da Comissão da Liberdade de Imprensa e Informação. Nos Estados Unidos será recebida na redação do jornal New York Times.

Seu périplo inclui Suíça, República Tcheca, Argentina, Peru, Canadá, Itália e Espanha. Em todos eles a programação de Yoani, além de falar mal de Cuba alegando viver o país sob uma feroz ditadura, servirá como um momento para os setores políticos e sociais mais reacionários dessas nações poderem extravazar seus pontos de vista conservadores. Em um contexto internacional marcado por profunda crise da economia capitalista, são justamente tais setores os principais responsáveis por defender e aplicar políticas retrógradas de ajuste e de resgate que beneficiam o sistema financeiro e o capital monopolista em detrimento da maioria da população.

Outro aspecto na viagem de Yoani por vários países se torna evidente. Está claro que seu giro internacional sinaliza para uma nova campanha de desestabilização contra o Estado cubano e seu povo. De acordo com o site Opera Mundi, telegramas revelados pelo Wikileaks apontam para o papel que o Departamento de Estado norte-americano atribui a Yoani Sánchez. Ela poderia desempenhar a função de liderança na transição para um regime político e social que destrua todas as conquistas da Revolução.  

A viagem da blogueira, portanto, se insere na política mais geral dos Estados Unidos de incentivar a oposição cubana e da direita mundial em articular um campo conservador que justifique seus ataques contra os trabalhadores no contexto da crise. A Casa Branca não desistiu do antigo projeto de derrotar a revolução e promover uma mudança no regime. O objetivo de sua volta ao mundo consiste em tornar Yoani uma espécie de porta-voz internacional da dissidência cubana. Sua condição de mulher e o uso de ferramentas de comunicação modernas como a internet, por onde ela manifesta sua oposição ao processo revolucionário cubano, são os ingredientes usados pelo imperialismo na tentativa de fazer dela uma referência política respeitável e crível dos dissidentes do seu país ante o mundo. 

Por esses motivos, são inteiramente legítimas as manifestações ocorridas no Brasil contra a visita de Yoani. Não se trata de modo algum de um ataque de militantes de esquerda contra a liberdade de expressão. O alvo dos protestos não é apenas Yoani, mas tudo o que ela representa. Trata-se de manifestações políticas cujo propósito é o de desmascarar o intento de sua visita, pois os aliados que ela angaria por onde passa em sua cruzada contra a Revolução Cubana, representam o que há de mais obscuro e conservador na atual cena política. Ao encontrar-se no Brasil e no mundo com próceres do reacionarismo político e social, para juntos atacarem a maior revolução ocorrida no continente americano, compreendem-se os protestos contra a sua visita.

Sua figura não representa uma dissidência cubana crítica de aspectos da revolução em busca de seu aperfeiçoamento. Sua imagem, com apoio do governo norte-americano e dos grandes meios privados de comunicação, se torna um pólo de articulação mundial de personalidades e instituições ligadas a um campo político e social reacionário, fascista e conservador. Por isso se torna objeto legítimo de manifestações e protestos.

Campinas, fevereiro de 2013

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